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Black Friday: o trabalho que conta faz-se em outubro

A Black Friday ganha-se antes de começar. O que fazer nas semanas anteriores para chegar à campanha a saber o que procura e a que preço.

Por Franclau6 min de leitura

Quase toda a gente chega à Black Friday sem saber o que quer comprar. Abre o telemóvel na sexta-feira de manhã, encontra uma parede de descontos e decide ali mesmo, a quente, com doze separadores abertos e a sensação de que, se não agarrar já, outro leva.

Essa ordem está ao contrário. E explica bastante bem porque é que tantas compras de novembro acabam devolvidas em janeiro ou esquecidas num armário, por estrear.

De onde vem esta campanha

Até 2012, em Espanha só se podia fazer saldos em dois períodos concretos do ano. O Real Decreto-ley 20/2012 (um decreto-lei espanhol) liberalizou o calendário e, desde então, o artigo 25 da Ley de Ordenación del Comercio Minorista (a lei espanhola do comércio a retalho) diz que cada comerciante faz descontos quando entende e durante o tempo que quiser. Foi essa mudança que permitiu que a Black Friday se implantasse em Espanha com a força que tem.

Para quem compra, isto tem duas faces. A boa: há muito mais oportunidades reais ao longo do ano. A menos boa: o desconto deixou de ser um acontecimento e passou a ser o estado normal do comércio online. Quando está tudo sempre em promoção, o cartaz de desconto deixa de informar e passa a ser decoração.

É aí que a campanha ganha. Não está a competir contra o preço, está a competir contra a pressa. E a pressa só tem efeito sobre quem ainda não decidiu nada.
Gráfico da evolução de um preço ao longo de várias semanas com uma etiqueta de preço ao lado

Uma regra que faz de outubro o mês importante

Há uma norma que quase ninguém conhece e que devia mudar-lhe o calendário.

30 dias

Desde que o Real Decreto-ley 24/2021 transpôs para a lei espanhola a chamada Diretiva Omnibus, quando uma loja anuncia um produto com desconto tem de mostrar o preço anterior. E a lei não deixa que esse preço anterior seja o que dá jeito à loja: define-o como o valor mais baixo que esse mesmo comerciante tenha aplicado a esse mesmo produto nos trinta dias seguidos anteriores.

Traduzindo: o que acontece a um preço no mês anterior à campanha determina o desconto que depois lhe podem anunciar. Se começar a acompanhar com um mês de antecedência, deixa de depender do cartaz.

Isto não quer dizer que todos os descontos sejam suspeitos. Muitos são perfeitamente reais. Quer dizer que tem uma forma barata de o confirmar, e que só funciona se começar antes.

As três coisas que se decidem com a cabeça fria

Preparar uma campanha são três decisões diferentes, e nenhuma se toma bem com um contador a piscar no ecrã.

O que quer

A primeira é o que quer. Sem olhar ainda para preços. O que lhe faz falta, o que anda a adiar há meses, o que se estragou, a quem tem de dar um presente em dezembro. É a parte que mais pesa no resultado final e precisamente a que a campanha o empurra a saltar.

Onde está

A segunda é onde está. O mesmo produto existe em muitos sítios e, muitas vezes, o melhor preço não está onde o viu primeiro. Este passo é aborrecido, por isso faça-o com tempo. Às onze da noite de quinta-feira já ninguém o vai fazer.

Quanto vale para si

A terceira, e a que mais dinheiro poupa, é quanto vale para si. Não quanto custa. Quanto vale. Se chegar a sexta-feira a saber o preço a que esse produto lhe parece uma boa compra, já não tem nada para avaliar: ou está abaixo ou não está. Decisão de dois segundos, e sem nada sobre que a urgência possa atuar.

As três produzem informação. E essa informação tem de ficar guardada em algum lado, que é exatamente onde o sistema da maioria das pessoas falha.

Telemóvel com uma lista organizada diante de várias etiquetas de preço dispersas

O problema de guardar coisas de muitas lojas

Cada loja tem a sua própria lista de favoritos, com a sua conta, o seu design e a sua sessão expirada. Se preparar a campanha como deve ser, acaba com produtos espalhados por quatro ou cinco listas que não comunicam entre si, mais um punhado de capturas de ecrã perdidas na galeria do telemóvel, mais dois links que enviou a si próprio por mensagem.

Na sexta-feira, esse material não serve. Não dá para o comparar de relance, já não se lembra porque guardou algumas coisas e um par de links leva a produtos esgotados. Com a campanha a decorrer, ninguém reconstrói isso. O que as pessoas fazem é abrir a página inicial da loja que estiver mais à mão e comprar o que lhes puserem à frente.

E não é uma falha de organização sua. As listas de favoritos são desenhadas por quem vende, e são feitas para comprar ali, não para comparar entre vários sítios.

O que a Spaidoo faz com isso

A Spaidoo reúne numa só lista produtos que estão em lojas diferentes.

Em vez de espalhar os seus candidatos por listas que pertencem a cada loja, guarda-os todos num mesmo sítio que é seu. Quando chega a campanha não reconstrói nada: abre a sua lista, vê de uma vez tudo o que foi selecionando durante semanas e decide com a informação que preparou.

Muda a sua posição no jogo. Deixa de reagir ao que lhe oferecem e passa a verificar se o que lhe oferecem encaixa no que já tinha decidido. Parece uma diferença pequena e, nos resultados, é enorme.

Além disso, a lista continua lá depois. O que não comprar em novembro não se perde, fica à espera. E com o calendário comercial liberalizado, há sempre uma próxima ocasião.

O que fazer nestas semanas

  1. Comece por esvaziar a cabeça. Guarde tudo o que lhe ocorrer que poderia querer comprar, sem filtrar e sem olhar para preços. Descartar depois leva um minuto; lembrar-se mais tarde de algo que não anotou não acontece.

  2. Quando a lista estiver completa, reveja-a uma vez e separe o que precisa do que lhe apetece. Não tem de abdicar do segundo. Só tem de saber qual é qual antes de alguém lho tentar vender como se fosse o primeiro.

  3. Depois, dedique algum tempo a procurar cada produto em mais do que uma loja. É este o passo que lhe compra a tranquilidade de sexta-feira.

  4. A partir daí, veja os preços de vez em quando. Sem obsessões: um olhar de poucos em poucos dias chega para saber se um preço está onde está há um mês ou se mexeu mesmo antes da campanha.

  5. E na sexta-feira, não ande a navegar. Abra a sua lista. Se alguma coisa encaixar no que decidiu, compre. Se não encaixar, fica onde está.

Por Franclau