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Como saber se uma promoção é mesmo real

Um desconto grande não é um preço baixo. O que a lei exige às lojas quando anunciam um desconto, até onde vai essa proteção e como confirmá-lo por si.

Por Franclau6 min de leitura

Um desconto grande não significa um preço baixo. Significa que há muita distância entre dois números, e um desses dois números é escolhido por quem vende.

A pergunta útil, então, não é quanto baixou uma coisa. É quanto custava antes e durante quanto tempo custou isso. E essa pergunta, há alguns anos, tem resposta legal.

O que a lei exige quando uma loja anuncia um desconto

Em Espanha, a norma é a Ley de Ordenación del Comercio Minorista (a lei espanhola do comércio a retalho), alterada pelo Real Decreto-ley 24/2021, que transpôs a Diretiva Omnibus.

30 dias

Diz que, quando se anunciam artigos com redução de preço, tem de constar o preço anterior junto ao preço com desconto. E define o que é esse preço anterior, que é a parte importante. Não é o preço recomendado pelo fabricante nem o preço que o produto teve alguma vez: é o valor mais baixo que esse mesmo comerciante tenha aplicado a esse mesmo produto nos trinta dias seguidos anteriores.

Há algumas nuances previstas na própria norma. Os artigos postos à venda pela primeira vez não têm preço anterior, por razões óbvias. E prevê-se como exceção o desconto em produtos perto do fim do prazo de validade quando o objetivo é reduzir o desperdício alimentar.

Um pormenor que costuma passar despercebido: a lei proíbe condicionar as ações promocionais a percentagens mínimas ou máximas de redução. Um desconto pequeno pode ser anunciado tal como um enorme. O tamanho da percentagem, por si só, não garante nada.

Duas etiquetas de preço comparadas, uma marcada como válida e outra descartada

Até onde vai essa proteção

O que a regra dos trinta dias elimina é o truque mais grosseiro, o de subir o preço uns dias antes para depois poder anunciar um desconto espetacular. Isso já não funciona.

O resto fica igual. A janela é de trinta dias, por isso um preço que mexeu com mais antecedência fica de fora. As descidas que não são anunciadas como desconto também não contam. Os descontos personalizados dos programas de fidelização funcionam com outra lógica. E, sobretudo, o facto de o preço anterior estar correto não diz se era um bom preço.

Essa parte nenhuma norma a resolve. Se aquele produto concreto vale a pena àquele preço concreto para aquilo de que precisa, isso continua a ser trabalho seu.

O método que funciona é aborrecidíssimo

A forma mais fiável de saber se uma promoção é boa é ter olhado para o preço antes de a promoção existir.

Parece óbvio e quase ninguém o faz, porque exige precisamente aquilo que o comércio online foi desenhado para impedir: que passe tempo entre descobrir uma coisa e decidir comprá-la.

Esse intervalo é a sua melhor ferramenta. Se guardar um produto e lhe deitar o olho de vez em quando durante umas semanas, acaba por saber três coisas que nenhum cartaz lhe vai dizer. Em que intervalo se move normalmente esse preço. Com que frequência muda. E se o preço da campanha está mesmo abaixo do habitual ou só abaixo de um máximo pontual.

Não é preciso manter uma folha de cálculo. Basta olhar de poucos em poucos dias durante um mês para ter mais contexto do que a maioria das pessoas que compra nesse dia.

Cinco coisas que vejo antes de dar uma promoção por boa

  • Comparo a referência exata, não o nome comercial. Muitas gamas têm versões quase idênticas com pequenas diferenças de características, e comparar preços entre dois modelos que não são o mesmo não significa nada. É preciso descer ao número do modelo e às especificações.

  • Vejo o preço final, não o do produto. Portes, condições de entrega e custos adicionais fazem parte do que vai pagar. Uma promoção que deixa de o ser no ecrã de pagamento é bastante comum, e deteta-se indo até ao fim antes de decidir.

  • Desconfio do desconto sobre o preço recomendado. Quando a referência que lhe mostram não é o que essa loja cobrava, mas um preço de catálogo teórico, a percentagem pode ser gigante sem que poupe nada.

  • Separo a urgência da promoção. Os contadores e os avisos de últimas unidades são elementos de design, não informação sobre o preço. Se a promoção é boa, continua a sê-lo sem o contador. Se só o convence com o contador, não foi a promoção que o convenceu.

  • E pergunto-me se ia comprá-lo de qualquer forma. Um desconto sobre algo de que não precisa é um gasto com desconto. É a armadilha mais simples de todas e a que mais dinheiro custa.

Relógio riscado junto a uma lista de produtos organizada

Onde entra a Spaidoo

Tudo o que ficou dito depende de uma coisa: que o produto esteja guardado num sítio a que volte sem esforço. Caso contrário, a observação ao longo do tempo simplesmente não acontece. Ninguém entra três semanas seguidas na página de um produto concreto de uma loja concreta.

E o sistema habitual joga contra. Cada loja tem a sua própria lista de favoritos, por isso os produtos que está a acompanhar acabam espalhados por vários sítios diferentes. Verificar cinco produtos significa entrar em cinco lojas e lembrar-se de qual estava onde. Ninguém aguenta isso mais de duas semanas.

A Spaidoo reúne numa só lista produtos de lojas diferentes. É aí que está a mudança: em vez de perseguir cada produto na sua loja, tem um único sítio com todos, e consultá-los deixa de ser uma tarefa para passar a ser um gesto de trinta segundos no telemóvel.

Quando chega a campanha, nota-se a diferença. Já não está a julgar um desconto com a informação que o vendedor lhe dá, está a compará-lo com o que viu durante semanas.

Por Franclau